08 junho 2017

Saudade também dói.



Tomar um tombo e ralar o joelho dói. Bater o dedo na quina da mesa dói. Dói cortar o pé no caco de vidro, cólica dói, dói morder  a língua, dói bater o queixo no chão. Enxaqueca dói, quebrar o braço dói, garganta inflamada também dói. Muita coisa dói. Mas o que mais dói é ausência, melhor dizendo, saudade!

Saudade de correr na chuva. Saudade da época da escola. Saudade de tirar o chinelo e brincar na rua. Saudade de um alguém que mora longe. Saudade de um lugar. Saudade de nós mesmos, é tudo muito rápido. Mas a saudade que mais dói é a saudade de quem se Ama. Saudade do sorriso sincero, do olhar carinhoso, do abraço gostoso, dos beijos apaixonados. Saudade da presença que já não pode ser mais preenchida.

Como lidar com isso?
Quando o amor de um acaba, o outro se machuca, não há escolha, não se deixa de amar do dia para a noite. Então sobra uma saudade incontrolável que ninguém sabe como deter. Saudade daquelas que fazem as coisas pararem no tempo. Saudade que  quando não cabe no coração, escorre pelos olhos.

Saudade é nunca ter uma resposta. Se ele está bem. Se agora tem muitos amigos. Se ele ainda escuta aquela música. Se está dormindo bem, se o resfriado não está o atrapalhando durante a noite. Se ainda usa aquela camisa nos dias de frio. Se continua adorando Mac Donald's.

Saudade é não saber lidar. Com as horas que passam mais devagar, com o dias que ficam mais longos,  com o passado que ainda não passou,  com o presente que machuca, com as lágrimas que não dá pra segurar, com as palavras foram interrompidas, com o silêncio que não foi compartilhado. Saudade é sentir o que não existe mais.

É tanta saudade que até se perde o interesse. Se ele está feliz, se ela está com outro, se ele está em forma, se ela não está mais bela. Saudade é querer e não poder, e então nunca mais querer saber de quem se ama,  porque chega uma hora que o coração cansa de doer.

Imagem: Francisco Moreno Fotográfica

01 junho 2017

Definifitivamente sofremos


Nossa dor não advém  das coisas que vivemos, mas das coisas que foram projetas e não foram realizadas.

Esquecemos  de  tudo que usufruirmos, e passamos a sofrer pelas nossas expectativas frustradas, sonhos que não se cumprirão,  por lugares que gostaríamos de ter conhecido e não conhecemos, por o pedido de perdão que deveríamos ter pedido e não pedimos, por todas aventuras e conversas que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos, por os beijos interrompidos.

Sofremos por se preocuparmos  demais com o que não muda nossa vida em nada, e sem perceber desprezamos o que realmente importa. Sofremos por tudo que poderíamos ter feito, e não fizemos, por não ter ido ao cinema, por não ter visitado o amigo, por ter furado naquele compromisso.

Sofremos pela euforia sufocada, pelas palavras engasgadas por os abraços evitados, pelas emoções afogadas.

Sofremos porque envelhecemos, e nosso futuro está sendo confiscado de nós, e pouco a pouco sentimos que ele está se perdendo, passando pelas pontas dos nossos dedos, levando consigo todas aquelas aventuras que mais jovens sonhamos e que nunca chegamos a experimentar.

Sofremos por amor e quem dera ninguém passasse por isso. O ideal seria não sofrer, apenas agradecer por ter conhecido alguém especial que, que gerou em nós um sentimento gostoso, que nos momentos ruins nos ensinou a crescer, pela companhia por um tempo razoável, pelo amor o beijo e o abraço, por o tempo feliz ao nosso lado.

Como nos livrar da culpa do passado? Deixando para trás o que já não pode ser modificado, se culpando menos e vivendo mais!

Por tudo que tenho vivido, estou convencida que o estrago da vida está no amor que não damos, na fé que não exercitamos, na covardia que não arrisca, na força que não usamos, e que ao tentar fugir do sofrimento,  perdemos também o crescimento.

A dor é inevitável. O sofrimento é transitório...

Imagem: Ariel Lustre

 
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